Magazine Luiza reverte perda e lucra R$ 212 milhões no 4º trimestre | Empresas

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O Magazine Luiza apresentou lucro líquido de R$ 212,2 milhões de outubro a dezembro, revertendo a perda de R$ 35,9 milhões no ano anterior. Margens bruta e de lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, da sigla em inglês) ajustada também cresceram, algo que a empresa já havia sinalizado que perseguiria, mesmo que isto afetasse o crescimento de vendas.

Ao se considerar o valor ajustado, a empresa fechou o quarto trimestre com lucro líquido de R$ 101,5 milhões, frente a uma perda de R$ 15,2 milhões no mesmo intervalo de 2022 — revertendo o desempenho dos últimos dois anos.

O resultado final do quarto trimestre está acima das projeções de analistas para o valor ajustado, em R$ 40,5 milhões, segundo média das projeções da Bloomberg.

A mudança na última linha foi efeito, em parte, de uma melhora no resultado financeiro, após cenário de queda nas taxas de juros básicas, levando a um aumento da diluição das despesas com juros.

Para 2024, a companhia vai continuar com foco em melhora da rentabilidade e do lucro líquido. “Entregamos o trimestre da virada”, disse Roberto Bellissimo, diretor executivo financeiro e de relações com investidores. “O foco era voltar a dar lucro e voltamos. Para 2024, a orientação continua a ser muito mais dar lucro maior do que crescer as vendas, apesar de as vendas já terem melhorado em lojas físicas”.

As lojas físicas avançaram 3,5% de outubro a dezembro, acima dos 2,3 % do trimestre anterior, mas num ritmo menor que a de outros anos, consequência da estratégia declarada de ganho de lucratividade em 2023.

A receita líquida caiu 5,5% de outubro a dezembro, para R$ 10,5 bilhões, abaixo da média das projeções da Bloomberg, em R$ 10,8 bilhões).

As vendas totais do on-line, das lojas e de terceiros hospedados em seu marketplace ficaram estáveis, em R$ 17,9 bilhões, abaixo da projeção do Santander (R$ 18,2 bilhões) e em linha com estimativa da Genial Investimentos.

Analisada separadamente, a venda nos canais on-line de itens próprios caiu 7,8%, maior que o recuo de 4,3% no terceiro trimestre.

Já no marketplace — itens de lojistas terceiros vendidos em seu site e no “app” — houve alta de 10%, ritmo abaixo dos 25% no terceiro trimestre, mesmo com Natal e Black Friday no fim de ano.

Para as vendas de seu estoque e de terceiros, os índices ficaram abaixo dos indicadores dos analistas do BTG Pactual, que previam recuo de 6% e alta de 12%, respectivamente.

Bellissimo diz que há impacto nesse índice da base forte de comparação de 2022, quando a Copa do Mundo ocorreu no fim daquele ano, e do fato de terem adotado estratégia de uma Black Friday “mais racional”.

“Mesmo assim, ganhamos ‘market share’ no período”, diz ele. Para alguns indicadores, a empresa vem destacando nos balanços o desempenho acumulado de quatro anos, para dar ao investidor a percepção dos ganhos em espaço maior de tempo.

As despesas financeiras menores contribuíram para a melhora no resultado final do balanço — esses gastos respondiam por 5% da receita líquida de outubro a dezembro de 2022, e no fim de 2023, representaram 4%.

No resultado contábil, o lucro ainda foi beneficiado pela venda de participação societária da Luizaseg, por R$ 201,9 milhões, mas sentiu o efeito de uma provisão para o ICMS relacionado com o Difal, no valor de R$ 369,3 milhões.

O Difal é o diferencial de alíquotas do ICMS. No fim de 2023, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) entenderam que os Estados poderiam cobrar das redes o Difal do ICMS desde abril de 2022, e não após 2023, como as varejistas defendiam. Por isso há esse impacto de provisão nos números da rede.

A companhia entende que as chances de perda são maiores do que as de ganho, embora ainda esteja pendente a publicação do acórdão do julgamento pelo STF, e decidiu adotar postura conservadora e fazer essa contabilização no trimestre.

A respeito da venda da controlada, o grupo confirmou, em novembro, a venda, de forma definitiva, da totalidade da participação detida na Luizaseg, sua unidade de seguros, para a NCVP Participações Societárias.

A margem bruta do grupo subiu 2,5 pontos percentuais, para 30,3%, com reflexo do repasses ao consumidor da decisão sobre o Difal, e com isto, a rede protegeu sua rentabilidade. O Difal foi completamente repassado em 2023.

Ainda houve efeito do aumento da receita com serviços (mais rentável que a de certos produtos) e da “Black Friday, que se não cresceu tanto em vendas como em outros anos, foi mais rentável, diz no material de resultados.

A margem Ebitda ajustada também foi superior ao consenso de analistas, em 7,2%, 1,2 ponto percentual acima de um ano antes. Superou, também, as previsões de Itaú BBA e BTG Pactual (6,8%).

Bellissimo afirma que a empresa não terá, neste primeiro trimestre de 2024, o efeito tão pesado da saída de caixa para pagamento de fornecedores, como historicamente ocorre nas varejistas de janeiro a março. As redes, em geral, compram no último trimestre do ano e pagam a indústria de janeiro a março, ocorrendo um certo desequilíbrio nos números, algo já de conhecimento do mercado.

“Dessa vez, adiantamos pagamentos de alguns fornecedores no fim de 2023 e compramos menos estoque, por isso não devemos ter tanto essa variação como em outros anos”, diz.

No acumulado de 2023, o prejuízo contábil foi de R$ 979 milhões, quase o dobro dos R$ 499 milhões de perda de 2022 — efeito dos números negativos dos trimestres anteriores.

A geração de caixa operacional foi de R$ 1,5 bilhão no trimestre, acima dos R$ 327 milhões de setembro, mas abaixo dos R$ 2,2 bilhões de um ano atrás.

A empresa fechou 2024 com uma posição de caixa total de cerca de R$ 9 bilhões, R$ 1 bilhão acima do fim do terceiro trimestre. A soma, porém, é inferior aos R$ 10,6 bilhões do fim de 2022. Bellissimo explica que isso ocorreu por causa de um pagamento de R$ 500 milhões pela compra de Kabum e do investimento de cerca de R$ 640 milhões no ano.

“Com a entrada, no primeiro trimestre, os recursos do aumento de capital privado de R$ 1,25 bilhão, teremos uma redução de dívida bruta e ainda haverá uma parte para novos investimentos em tecnologia”, disse. Segundo o diretor, a empresa vai pagar R$ 3 bilhões em dívida em 2024, reduzindo esse valor bruto de R$ 7,4 bilhões para R$ 4,4 bilhões.

A Luisacred voltou a dar lucro após dois anos, de R$ 18,2 milhões no período de outubro a dezembro, frente a uma perda de R$ 13,2 milhões um ano antes.

Magazine Luiza — Foto: Divulgação

Fonte: Externa

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