Cogna (COGN3) tem prejuízo ajustado de R$ 373 mi no 4º tri por efeito tributário

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A Cogna (COGN3), grupo de educação dono da Somos (Vasta), Saber e Kroton, apresentou seu balanço do quarto trimestre de 2023 (4T23) com prejuízo líquido ajustado de R$ 373 milhões, revertendo lucro ajustado de R$ 76,15 milhões do mesmo período do ano anterior, informou a companhia nesta quarta-feira (20). A linha do balanço foi afetada por uma baixa de imposto de renda diferido no montante de R$ 434 milhões decorrente de prejuízos fiscais em empresas do grupo, consequência do adiamento temporário de algumas incorporações para melhor posicionamento no Mais Médicos III. A companhia reiterou se tratar de “um impacto pontual” e “estritamente contábil”.

Sobre o efeito tributário, a companhia informou que “detém ativos fiscais diferidos, formados principalmente por Prejuízos Fiscais e Bases Negativas de Contribuição Social. Para efetivar a realização desses ativos, desenvolvemos um plano de reorganização societária detalhado, objetivando a otimização tributária através da maximização do aproveitamento dos prejuízos e da minimização da alíquota efetiva de tributação”, afirmou a Cogna em nota. O plano de reorganização societária foi ajustado com objetivo de ampliação de oportunidades de sucesso na criação de novos cursos dentro do programa Mais Médicos, afirmou a empresa. O ajuste implicou no adiamento temporário de algumas incorporações e a consequente redução do ativo fiscal diferido, de natureza estritamente contábil. O plano original de reorganização será retomado caso as iniciativas para aberturas não tenham sucesso ou após a aprovação pelo Ministério da Educação (MEC) de novas vagas de medicina.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) recorrente, por sua vez, ficou em R$ 551,9 milhões no trimestre, com alta de 17,1% em relação ao 4T22, enquanto a margem Ebitda recorrente teve avanço de 1,1 ponto percentual (p.p.), para 28,9%. Em 2023, o Ebitda recorrente ficou em R$ 1,7 milhões, crescendo 18,9% ante 2022, enquanto a margem cresceu no ano 0,7 ponto percentual, chegando a 29,4%. A receita líquida apresentou crescimento de duplo dígito, tanto trimestral quanto anual. No quarto trimestre, totalizou R$ 1,9 bilhão, com alta de 12,6% em relação ao mesmo período de 2022. No consolidado do ano, o crescimento foi de 15,8% na comparação anual, chegando a R$ 5,89 bilhões.

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O grande destaque do balanço foi a geração de caixa operacional (GCO) após gasto de capital (capex, em inglês). Houve crescimento de 65,4% no ano de 2023 e o valor chegou a R$ 893 milhões. De acordo com o CEO da companhia, Roberto Valério, o resultado reflete a consequência da estratégica asset light, que gerou aumento da conversão de Ebitda recorrente em caixa (com alta de 14,5 p.p. no ano, em 51,5%) e do Ebitda recorrente em si.

O resultado é parte de esforços da companhia para seguir as orientações (guidance, em inglês) fornecidas em 2020, quando o processo de turnaround da Cogna teve seu início, afirmou o executivo em entrevista ao InfoMoney. Desde então, a companhia vem apresentando consistência em receita, rentabilidade e geração de caixa e caminha para a geração de lucro líquido, de acordo com o CEO.

“Estamos vindo de um processo de retomada desde 2020 e o lucro líquido ainda não aconteceu”, ressalta o executivo. O dado do guidance que parece mais próximo de ser cumprido é, de fato, a geração de caixa para 2024. “De acordo com nossa orientação de 2020, nossa expectativa é de chegar em 2024 com R$ 1 bilhão em geração de caixa e já chegamos em R$ 900 milhões”, pontua.

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A robusta geração de caixa permitiu, somada a outras iniciativas, que a alavancagem da companhia caísse para 1,83 vez a dívida líquida sobre o Ebitda, ante as 2,10 vezes observadas no quarto trimestre de 2022. A dívida líquida, por sua vez, foi reduzida em R$ 30,1 milhões na comparação com o trimestre anterior e está em R$ 3,2 bilhões. A redução foi alcançada mesmo considerando efeitos de M&A e a recompra das ações da Vasta. Conforme explica Valério, a geração de caixa se uniu a uma agenda ativa de liability management (gestão de passivos), que buscou a redução do custo médio da dívida de CDI+2,18% para CDI+2,16%. A redução da dívida líquida está entre os compromissos da companhia para os próximos trimestres.

Dentre as verticais do grupo, a Kroton se destaca pelo crescimento e recuperação e apresenta mais de 1 milhão de alunos de educação superior e pós-graduação em mais de 3.000 polos credenciados de Ensino Digital. A receita líquida da vertical cresceu 1,7% na comparação com o 4T22. De acordo com a companhia, o número de R$ 968,3 milhões de receita reflete mudança no processo operacional de reconhecimento da receita de dependências de alunos do EAD. Na comparação anual, a receita líquida cresceu 9%.

O CEO destaca que, pelo público atendido pela Kroton, uma das principais preocupações inerentes ao nome era justamente a Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa (PCLD). Porém, conforme ressalta Valério, a companhia conseguiu reduzir o risco buscando maior qualidade no perfil de crédito de alunos e aumentando a adimplência média de alunos veteranos. “Tivemos uma redução no prazo médio de recebimento de 10 dias, na comparação com o 4T22”, destaca. A taxa de evasão foi vista como “estabilidade” e não apresentou variação considerável entre o 4T23 e 4T22 (crescimento de 0,4 p.p. de 2,0% para 2,4%).

Em relação às possíveis mudanças de regulamentação para o EAD, o CEO se mostra tranquilo e que está a favor de maior rigor tanto em regulamentos quanto em fiscalização. Em relação aos cursos de saúde, Valério destaca que a Kroton foca na realização de 50% da carga horária em laboratórios próprios, com estrutura adequada, e acompanhamento da realização das aulas à distância, em sala de controle própria para a finalidade. “Se a regulamentação trouxer algo nesse sentido, como já fazemos, será ótimo”, pondera o executivo.

A Kroton Med, frente focada em cursos de medicina e que foi separada para melhor gestão, apresentou crescimento de receita líquida de 26,6% em relação ao 4T22, chegando a R$ 194 milhões. No acumulado do ano, a receita líquida foi de R$ 694 milhões com crescimento de 25,2%.

Para o executivo, a visão de um potencial aumento no número de vagas de cursos de Medicina a partir de liminares também não é visto como potencialmente negativo, considerando aumento de concorrência. O CEO destaca, em primeiro ponto, que se todas as vagas fossem concedidas, haveria um aumento de cerca de 10% (o que não é considerado um número elevado). Além disso, Valério reforça que cursos que apresentem boa qualidade, com estrutura adequada e boas notas junto ao Ministério da Educação (MEC) continuarão sendo mais procurados em qualquer cenário. A Kroton Med tem planos de abertura de mais 4 faculdades, que se somarão às 6 já presentes atualmente.

Para Vasta, a estratégia atual consiste no foco em sistemas de ensino premium e, para 2024, a aposta da companhia é em Soluções de Ensino. A Vasta pretende atender aproximadamente 1,5 milhão de alunos com o modelo tradicional de soluções e mais 500 mil com o chamado “ensino complementar”, que abrange desde educação socioemocional à robótica (maker). Em 2023, houve aumento de 13,6% no número de alunos atendidos pelas soluções.

Para Saber, o ano de 2023 foi marcado pelo aumento da presença de materiais didáticos da companhia no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), fortalecendo os contratos com governo. As editoras que compõem a empresa agora correspondem a 33% dos livros didáticos adotados na rede de ensino. O aumento de marketshare foi de 7,7 p.p. no ano de 2023 e pode significar aumento em outros programas, de acordo com o executivo. O dado já havia sido divulgado no terceiro trimestre e o resultado da venda inicial é reconhecido no 4T23, conforme cronograma de entrega dos livros.

Apesar da companhia considerar aquisições ao longo do ano, ainda não há nenhuma operação já em processo de realização. Caso aconteça, no entanto, o executivo antecipa que não será nenhuma compra de grandes proporções para o grupo, apesar da geração de caixa permitir movimentos. “Não temos nenhum M&A transformacional em vista”, afirma Valério.

Fonte: Externa

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